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Você já percebeu como é diferente olhar para uma dor quando sentimos que não estamos sozinhos?
Na psicoterapia, oferecer uma presença segura quando uma pessoa confia em mim para dividir sua história, suas sensações e seus sentimentos é algo que me enriquece profundamente.
Cada história é única. E, muitas vezes, chegar à terapia significa justamente encontrar um espaço onde seja possível falar sobre aquilo que, durante muito tempo, precisou ser silenciado, suportado ou enfrentado sozinho.
O que é um vínculo seguro na psicoterapia?
A Teoria do Apego nos mostra que, quando nos sentimos seguros, temos mais condições de explorar o mundo. A segurança oferecida por uma figura de apego funciona como uma espécie de base segura, a partir da qual podemos nos afastar para conhecer, experimentar e retornar quando precisamos de proteção.
Na psicoterapia, essa ideia também pode ser muito potente.
E ouso dizer que, quando nos sentimos suficientemente seguros, podemos não apenas explorar o mundo ao nosso redor, mas também explorar nosso mundo interno.
Podemos olhar para emoções difíceis, necessidades emocionais que não foram reconhecidas, padrões de relacionamento e maneiras que encontramos para lidar com aquilo que nos machuca.
E onde entra a Terapia dos Esquemas?
A Terapia dos Esquemas compreende que nossas experiências ao longo da vida podem contribuir para a formação de esquemas — padrões profundos de percepção, emoção e comportamento que influenciam a maneira como nos relacionamos conosco, com os outros e com o mundo.
Muitos desses padrões estão relacionados às nossas necessidades emocionais básicas, como segurança, vínculo, pertencimento, autonomia, expressão emocional e limites realistas.
Por isso, na Terapia dos Esquemas, a relação terapêutica não é apenas o lugar onde falamos sobre o que acontece fora da sessão.
Ela também pode se tornar um espaço para experimentar uma relação diferente: com acolhimento, compreensão, limites e segurança.
“Dizer que a sua dor vai passar seria leviano da minha parte.”
Nem sempre sabemos quando uma dor vai passar.
Algumas experiências deixam marcas. Algumas precisam ser elaboradas. Outras não desaparecem, mas podem ganhar novos significados e deixar de ocupar o mesmo lugar em nossa vida.
Por isso, digo:
Você não vai passar por isso sozinho até que essa dor possa se transformar.
Talvez essa seja uma das possibilidades de um vínculo seguro: ter alguém ao lado enquanto você encontra condições para sentir, compreender e elaborar aquilo que está vivendo.
Quando nos sentimos seguros, podemos olhar para dentro
Nem sempre conseguimos acessar nossas emoções quando estamos em estado de ameaça, medo ou julgamento.
Às vezes, primeiro precisamos experimentar segurança para então conseguir perguntar:
O que estou sentindo?
Do que eu preciso?
Por que isso me afeta tanto?
Esse padrão de relacionamento é familiar para mim?
O que essa situação desperta na minha história?
Existe outra maneira de cuidar de mim?
Esse processo pode fazer parte da psicoterapia e, especialmente na Terapia dos Esquemas, ajudar a reconhecer necessidades emocionais, compreender esquemas e desenvolver respostas mais saudáveis diante das situações da vida.
A terapia também é um lugar de relação
Acredito que terapia é vínculo.
Isso não significa ausência de técnica. Pelo contrário: conhecimento técnico e uma relação terapêutica segura caminham juntos.
É a partir desse encontro que podemos construir um espaço de acolhimento, mas também de reflexão, confronto empático e desenvolvimento de novas possibilidades.
Porque talvez não seja apenas sobre entender racionalmente o que acontece conosco.
É também sobre experimentar, em uma relação segura, que podemos ser compreendidos, cuidados e respeitados enquanto aprendemos novas formas de estar no mundo.
E, quem sabe, aos poucos, também aprendemos a oferecer essa segurança a nós mesmos.
Com carinho,
Natália.
Natália Vargas Filomeno — Psicóloga em Porto Alegre. Atendimento com Terapia do Esquema para adultos, luto e terapia de casal, presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online.



