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Psicóloga – Natália Filomeno

Psicóloga em Porto Alegre – Terapia do Esquema, luto e terapia de casal. Atendimento presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online..

Modelo Operativo Interno na Terapia dos Esquemas: como nossas primeiras relações influenciam os vínculos na vida adulta.

Modelo Operativo Interno na Terapia dos Esquemas: como nossas primeiras relações influenciam os vínculos na vida adulta.

Você já percebeu que algumas pessoas parecem repetir os mesmos padrões nos relacionamentos, mesmo quando desejam profundamente fazer diferente?

Talvez alguém tenha dificuldade de confiar, peça pouco, tenha medo de ser abandonado ou sinta que precisa agradar para ser amado. Em outros casos, a pessoa pode se afastar justamente quando mais precisa de alguém.

Na Terapia dos Esquemas, compreender a história dessas relações pode ajudar a entender por que determinados padrões emocionais continuam aparecendo na vida adulta.

Um dos conceitos que contribuem para essa compreensão é o Modelo Operativo Interno, desenvolvido a partir da Teoria do Apego de John Bowlby.

O que é Modelo Operativo Interno?

O Modelo Operativo Interno pode ser compreendido como uma espécie de mapa interno sobre como os relacionamentos funcionam.

Ao longo do desenvolvimento, especialmente a partir das primeiras relações de apego, vamos construindo expectativas sobre nós mesmos, sobre as outras pessoas e sobre o que podemos esperar dos vínculos.

A criança vai aprendendo, por meio das experiências, coisas como:

“Posso confiar nas pessoas?”

“Quando preciso de ajuda, alguém estará disponível?”

“Minhas emoções são importantes?”

“Posso demonstrar vulnerabilidade?”

“Preciso fazer alguma coisa para merecer amor?”

“As pessoas ficam quando eu preciso delas?”

Essas aprendizagens não acontecem necessariamente de maneira consciente.

Elas são construídas na experiência.

Quando o relacionamento se torna uma forma de aprender sobre si mesmo

Imagine uma criança que, quando está assustada, encontra um adulto disponível, que a acolhe e ajuda a organizar aquilo que ela ainda não consegue compreender sozinha.

Ao longo do tempo, essa criança pode construir uma expectativa interna de que:

“Quando eu precisar de alguém, posso procurar ajuda.”

Agora imagine uma criança que, repetidamente, encontra rejeição, críticas ou indisponibilidade quando demonstra suas necessidades.

Ela pode aprender algo diferente:

“É melhor não precisar.”

Ou:

“Se eu demonstrar demais o que sinto, posso afastar as pessoas.”

Essas experiências podem se tornar referências para os relacionamentos futuros.

Modelo Operativo Interno e Terapia dos Esquemas

O Modelo Operativo Interno não é exatamente a mesma coisa que um esquema.

Mas os conceitos dialogam profundamente.

Na Terapia dos Esquemas, entendemos que experiências repetidas de não atendimento das necessidades emocionais básicas podem contribuir para o desenvolvimento dos Esquemas Iniciais Desadaptativos.

Uma criança que vivencia repetidamente falta de acolhimento, por exemplo, pode desenvolver formas de compreender a si mesma e aos outros que permanecem ativas na vida adulta.

É possível que isso apareça posteriormente como:

dificuldade de confiar;

medo de abandono;

sensação de não ser importante;

dificuldade para pedir ajuda;

necessidade excessiva de agradar;

dificuldade em expressar necessidades;

medo de depender emocionalmente de alguém;

tendência a escolher relacionamentos pouco disponíveis.

Por isso, muitas vezes, não basta perguntar:

“Por que você continua fazendo isso?”

Na psicoterapia, pode ser muito mais interessante perguntar:

“O que você aprendeu sobre os relacionamentos que faz com que isso pareça necessário?”

Por que repetimos padrões mesmo quando sabemos que eles nos fazem sofrer?

Essa é uma das questões mais importantes na psicoterapia.

Racionalmente, uma pessoa pode saber que determinada relação não lhe faz bem.

Pode reconhecer que está sempre se anulando, que tem medo excessivo de abandono ou que escolhe pessoas emocionalmente indisponíveis.

Ainda assim, mudar pode ser muito difícil.

Isso acontece porque esses padrões não são apenas escolhas conscientes.

Eles podem estar relacionados a formas profundas e antigas de organizar a experiência emocional.

O que é familiar nem sempre é saudável.

Mas, para o nosso sistema emocional, aquilo que é familiar pode parecer previsível e, portanto, mais seguro.

É por isso que algumas pessoas dizem:

“Eu sei que não quero mais viver isso, mas parece que sempre acabo no mesmo lugar.”

A psicoterapia pode ajudar justamente a compreender esse “mesmo lugar”.

A relação terapêutica também pode criar uma nova experiência

Uma das possibilidades mais potentes da Terapia dos Esquemas é que a mudança não acontece apenas por compreender intelectualmente o passado.

Ela também pode acontecer por meio de novas experiências emocionais e relacionais.

Na relação terapêutica, o paciente pode encontrar um espaço em que suas emoções sejam reconhecidas, suas necessidades possam ser compreendidas e seus padrões possam ser examinados sem julgamento.

É nesse contexto que recursos como a reparentalização limitada podem ser utilizados dentro dos limites éticos e profissionais da psicoterapia.

A ideia não é apagar o passado.

É possibilitar que a pessoa desenvolva novas maneiras de se relacionar consigo mesma, com suas necessidades e com as outras pessoas.

O Modelo Operativo Interno pode mudar?

Sim.

Essa é uma das ideias mais importantes quando falamos sobre apego e psicoterapia.

As experiências precoces têm grande influência, mas não determinam para sempre a maneira como uma pessoa irá se relacionar.

Ao longo da vida, novas relações e experiências podem modificar expectativas anteriores.

Uma pessoa que aprendeu:

“Não posso depender de ninguém.”

pode, gradualmente, experimentar:

“Posso contar com alguém e continuar sendo eu.”

Alguém que aprendeu:

“Minhas necessidades afastam as pessoas.”

pode descobrir:

“Minhas necessidades podem ser comunicadas e consideradas.”

Essa transformação não acontece de um dia para o outro.

Ela envolve consciência, vínculo, novas experiências e construção de recursos emocionais.

Terapia dos Esquemas em Porto Alegre

A Terapia dos Esquemas pode ser indicada para adultos que percebem padrões emocionais e relacionais persistentes e desejam compreender de onde eles vêm e construir novas formas de lidar com suas necessidades.

No processo terapêutico, podemos investigar a relação entre história de vida, apego, necessidades emocionais, esquemas e modos, buscando compreender não apenas o sofrimento atual, mas também a lógica que existe por trás dele.

Realizo atendimento psicológico para adultos em Porto Alegre, com atendimento presencial na região da Tristeza e também na região dos Moinhos de Vento, além da modalidade online.

Se você percebe que algumas histórias parecem se repetir nos seus relacionamentos, talvez não seja apenas uma questão de “saber o que fazer diferente”.

Às vezes, é preciso compreender o que você aprendeu sobre amar, confiar, precisar e ser cuidado.

E, a partir daí, construir uma experiência diferente.

Natália Vargas Filomeno — Psicóloga em Porto Alegre. Atendimento com Terapia do Esquema para adultos, luto e terapia de casal, presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online.

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