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Psicóloga – Natália Filomeno

Psicóloga em Porto Alegre – Terapia do Esquema, luto e terapia de casal. Atendimento presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online..

O que um funeral em vida pode nos ensinar sobre o luto e a forma como escolhemos viver?

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Recentemente, a história de um advogado em fase terminal chamou a atenção de muitas pessoas. Diante da proximidade da morte, ele decidiu realizar seu próprio ritual de despedida ainda em vida. Cercado por pessoas importantes, pôde ouvir palavras de carinho, compartilhar memórias e participar conscientemente de um momento que tradicionalmente acontece após sua partida.

A história desperta reflexões profundas sobre a morte, os vínculos e o significado que atribuímos às nossas experiências.

Talvez a forma como morremos também revele algo sobre a forma como escolhemos viver.

A importância dos rituais de despedida.

Os rituais de despedida existem em praticamente todas as culturas. Eles nos ajudam a reconhecer o impacto do falecimento de alguém importante, honrar histórias compartilhadas e dar significado a experiências que, muitas vezes, parecem difíceis de compreender.

Quando ocorre o falecimento de alguém, não nos despedimos apenas de uma pessoa. Também nos despedimos de projetos, expectativas, rotinas e partes de quem somos. O luto é justamente o processo de adaptação a essa nova realidade.

Por isso, os rituais podem funcionar como uma ponte entre aquilo que foi vivido e aquilo que precisará ser reconstruído.

O luto como uma experiência de transformação

Na psicologia, entendemos o luto como uma resposta natural diante de mudanças significativas em nossa vida. Embora seja frequentemente associado ao falecimento de alguém, ele também pode surgir após separações, adoecimentos ou transformações importantes na forma como enxergamos o mundo.

O psiquiatra Colin Murray Parkes descreveu o luto como a perda do “mundo presumido”: aquele conjunto de crenças, expectativas e certezas que organizavam nossa existência.

Quando algo importante se rompe, somos convidados a reconstruir significados.

Nem sempre isso acontece de forma simples.

O que a Terapia dos Esquemas pode nos ensinar sobre o luto?

A Terapia dos Esquemas, desenvolvida por Jeffrey Young, compreende que nossas experiências de vida moldam formas de perceber a nós mesmos, aos outros e ao mundo.

O falecimento de alguém significativo pode ativar esquemas emocionais antigos relacionados ao abandono, à privação emocional, ao desamparo ou à defectividade.

Por isso, algumas pessoas vivenciam o luto não apenas pela ausência da pessoa que morreu, mas também pelo contato com dores emocionais muito anteriores à situação presente.

Uma despedida pode despertar antigas experiências de rejeição.

Uma morte pode reativar sentimentos de solidão já conhecidos.

O falecimento de alguém importante pode tocar feridas emocionais construídas ao longo de muitos anos.

Compreender esses padrões não elimina a dor, mas ajuda a olhar para ela com mais nitidez e compaixão.

O papel do Adulto Saudável diante do luto

Na Terapia dos Esquemas, buscamos fortalecer aquilo que chamamos de Modo Adulto Saudável: a parte de nós capaz de acolher emoções difíceis, reconhecer necessidades emocionais e tomar decisões coerentes com nossos valores.

O Adulto Saudável não elimina o sofrimento.

Ele permite que a dor exista sem que ela defina completamente quem somos.

Diante do luto, essa parte pode nos ajudar a lembrar que sentir tristeza é uma expressão do vínculo que existiu. Pode nos ajudar a buscar apoio, respeitar nossos limites e construir novos significados para a vida.

Talvez pensar sobre a morte seja também uma forma de falar sobre a vida

A decisão daquele advogado de participar do próprio ritual de despedida nos lembra que os seres humanos precisam de conexão, reconhecimento e significado.

Talvez os rituais existam porque somos seres relacionais.

Talvez eles nos ajudem a dizer aquilo que muitas vezes adiamos.

Talvez nos lembrem que a vida acontece agora.

Pensar sobre a morte não significa desistir da vida. Em muitos momentos, significa justamente o contrário: aproximar-se do que realmente importa.

O ritual realizado por esse advogado nos convida a refletir sobre algo essencial: a forma como nos despedimos pode revelar muito sobre a forma como escolhemos viver. Ao criar um espaço para compartilhar afeto, gratidão e presença, ele transformou sua despedida em um encontro humano profundamente significativo.

Natália Vargas Filomeno — Psicóloga em Porto Alegre. Atendimento com Terapia do Esquema para adultos, luto e terapia de casal, presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online.

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