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Psicóloga – Natália Filomeno

Psicóloga em Porto Alegre – Terapia do Esquema, luto e terapia de casal. Atendimento presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online..

Não tente dizer: “A dor vai passar.”

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Quando alguém perde uma pessoa importante ou vive qualquer ruptura significativa, é comum ouvir frases como: “A dor vai passar.” Embora sejam ditas com boa intenção, elas podem transmitir a ideia de que existe um tempo certo para deixar de sofrer.

Na prática clínica, observo que o luto não acontece da mesma forma para todas as pessoas.

Cada ser humano desenvolve uma forma única de se regular no mundo externo por meio do mundo que conhece. Isso significa que a maneira como vivenciamos uma perda também está relacionada às nossas experiências de vida, aos vínculos que construímos e à forma como aprendemos a buscar segurança nas relações.

Ninguém está imune a sentir o luto por morte ou outros tipos de luto que nos debruçam sobre o finito. O fim de um relacionamento, a perda da saúde, mudanças familiares, aposentadoria, infertilidade, mudanças de cidade ou qualquer experiência que represente a perda de algo significativo também podem mobilizar processos intensos de luto.

Quanto mais estamos no auge da vitalidade e da energia de vida, menos pensamos sobre a finitude. Muitas vezes, somente quando somos atravessados por uma perda importante é que percebemos o quanto a vida também é marcada pela impermanência.

O psiquiatra Colin Murray Parkes (1998, p. 22), uma das principais referências nos estudos sobre o luto, escreveu uma frase que atravessa gerações:

“É o preço que pagamos pelo amor, o preço do compromisso.”

Essa compreensão nos convida a olhar para o sofrimento não como um erro ou uma doença, mas como parte da experiência de amar e construir vínculos.

O que a teoria do apego nos ensina sobre o luto?

John Bowlby, criador da teoria do apego, compreendeu que nossos vínculos exercem um papel fundamental na forma como enfrentamos perdas.

Felizmente, o psiquismo humano, assim como os ossos humanos, está fortemente inclinado à autocura (Bowlby, 1989).

Isso não significa que a dor desapareça rapidamente ou que o sofrimento deva ser apressado. Significa que o ser humano possui recursos para integrar experiências difíceis quando encontra condições emocionais favoráveis para isso.

Para a teoria do apego, quanto mais seguras e conectadas as pessoas se sentem, mais aptas estão a explorar o mundo longe de seus cuidadores. Esse princípio também pode ser observado durante o processo de luto: uma base segura favorece a reorganização da vida após uma perda.

A Terapia dos Esquemas e o processo de luto

Na Terapia dos Esquemas, compreendemos que as necessidades não atentidas podem ativar esquemas emocionais desenvolvidos ao longo da vida, especialmente aqueles relacionados ao abandono, à privação emocional, à vulnerabilidade e ao isolamento social.

Isso ajuda a explicar por que duas pessoas podem viver lutos semelhantes e reagir de maneiras completamente diferentes.

Além da saudade da pessoa ou da situação perdida, o luto pode despertar necessidades emocionais antigas que ficaram sem resposta ao longo do desenvolvimento.

Por isso, o trabalho terapêutico não busca eliminar a dor, mas oferecer um espaço seguro para compreendê-la, acolhê-la e construir novos significados para a experiência vivida.

A relação terapêutica pode funcionar como uma experiência de segurança, permitindo que a pessoa reconheça suas necessidades emocionais, fortaleça o seu Adulto Saudável e encontre recursos para continuar vivendo.

Em vez de dizer “a dor vai passar”…

Talvez possamos oferecer algo mais valioso do que uma tentativa de aliviar rapidamente o sofrimento.

Podemos oferecer presença.

Podemos oferecer escuta.

Podemos oferecer segurança.

Natália Vargas Filomeno — Psicóloga em Porto Alegre. Atendimento com Terapia do Esquema para adultos, luto e terapia de casal, presencial na Tristeza e Moinhos de Vento e online.

Referência: 

Bowlby,J. Uma base segura:aplicações clínicas da teoria do apego. Porto Alegre,  Artes Médicas, 1989.

Parkes,C.M. Luto-Estudos sobre a perda na vida adulta. São Paulo: Summus, 1998.

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