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Quando cuidamos, precisamos nos desenvolver junto com quem estamos acompanhando.
Essa é uma das experiências mais marcantes para quem trabalha com psicoterapia. Cuidar de alguém não significa apenas escutar ou oferecer orientação. Significa também estudar, refletir e ampliar continuamente a capacidade de compreender a complexidade da experiência humana.
Na clínica psicológica, cada encontro traz uma história única. Histórias de dor, tentativas de sobrevivência emocional, perdas, vínculos e estratégias que foram construídas ao longo da vida para lidar com situações difíceis.
É nesse ponto que a Terapia dos Esquemas oferece uma contribuição muito importante.
O que a Terapia dos Esquemas nos ensina sobre a história emocional.
A Terapia do Esquema, desenvolvida por Jeffrey Young, parte da ideia de que todos nós desenvolvemos padrões emocionais profundos, chamados de esquemas.
Esses esquemas se formam principalmente na infância e na adolescência, a partir das relações com cuidadores e das experiências que tivemos ao longo da vida.
Muitas vezes, aquilo que hoje aparece como sofrimento psicológico foi, em algum momento, uma tentativa de sobrevivência emocional.
Por exemplo:
- alguém que sofreu rejeição pode ter aprendido a evitar intimidade
- alguém muito criticado pode desenvolver autoexigência excessiva
- alguém que precisou cuidar dos outros pode ter dificuldade de colocar limites
Na Terapia dos Esquemas, buscamos compreender esses padrões com coerência histórica, ou seja, entendendo de onde eles vieram e qual função tiveram.
O papel do terapeuta: presença, estudo e desenvolvimento
A psicoterapia exige muito mais do que técnicas. Exige presença, sensibilidade e desenvolvimento constante.
Cada paciente é unico para o terapeuta e faz ampliar sua escuta, aprofundar seu conhecimento e refinar sua capacidade de compreender o funcionamento emocional humano.
Por isso, quem cuida também precisa se desenvolver.
Isso acontece através de:
- estudo contínuo;
- supervisão clínica;
- reflexão sobre a própria prática;
- desenvolvimento emocional e humano.
O processo terapêutico é relacional. Ele acontece no encontro entre duas histórias: a do paciente e a do profissional que está ali para acompanhar, compreender e ajudar a reorganizar experiências emocionais.
O cuidado como encontro humano.
Na Terapia dos Esquemas, acreditamos que mudanças profundas acontecem quando a pessoa encontra um espaço seguro para compreender sua história, identificar seus padrões e experimentar novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.
Esse processo exige tempo, paciência e construção de confiança.
E também exige que o profissional que acompanha esse caminho esteja disposto a crescer junto com cada encontro clínico.
Porque, no cuidado verdadeiro, estudo, presença e humanidade caminham juntos.
Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre.




