Psicóloga – Natália Filomeno

Quando cuidamos, também precisamos nos desenvolver: um olhar da Terapia dos Esquemas.

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Quando cuidamos, precisamos nos desenvolver junto com quem estamos acompanhando.

Essa é uma das experiências mais marcantes para quem trabalha com psicoterapia. Cuidar de alguém não significa apenas escutar ou oferecer orientação. Significa também estudar, refletir e ampliar continuamente a capacidade de compreender a complexidade da experiência humana.

Na clínica psicológica, cada encontro traz uma história única. Histórias de dor, tentativas de sobrevivência emocional, perdas, vínculos e estratégias que foram construídas ao longo da vida para lidar com situações difíceis.

É nesse ponto que a Terapia dos Esquemas oferece uma contribuição muito importante.

O que a Terapia dos Esquemas nos ensina sobre a história emocional.

A Terapia do Esquema, desenvolvida por Jeffrey Young, parte da ideia de que todos nós desenvolvemos padrões emocionais profundos, chamados de esquemas.

Esses esquemas se formam principalmente na infância e na adolescência, a partir das relações com cuidadores e das experiências que tivemos ao longo da vida.

Muitas vezes, aquilo que hoje aparece como sofrimento psicológico foi, em algum momento, uma tentativa de sobrevivência emocional.

Por exemplo:

  • alguém que sofreu rejeição pode ter aprendido a evitar intimidade
  • alguém muito criticado pode desenvolver autoexigência excessiva
  • alguém que precisou cuidar dos outros pode ter dificuldade de colocar limites

Na Terapia dos Esquemas, buscamos compreender esses padrões com coerência histórica, ou seja, entendendo de onde eles vieram e qual função tiveram.

O papel do terapeuta: presença, estudo e desenvolvimento

A psicoterapia exige muito mais do que técnicas. Exige presença, sensibilidade e desenvolvimento constante.

Cada paciente é unico para o terapeuta e faz ampliar sua escuta, aprofundar seu conhecimento e refinar sua capacidade de compreender o funcionamento emocional humano.

Por isso, quem cuida também precisa se desenvolver.

Isso acontece através de:

  • estudo contínuo;
  • supervisão clínica;
  • reflexão sobre a própria prática;
  • desenvolvimento emocional e humano.

O processo terapêutico é relacional. Ele acontece no encontro entre duas histórias: a do paciente e a do profissional que está ali para acompanhar, compreender e ajudar a reorganizar experiências emocionais.

O cuidado como encontro humano.

Na Terapia dos Esquemas, acreditamos que mudanças profundas acontecem quando a pessoa encontra um espaço seguro para compreender sua história, identificar seus padrões e experimentar novas formas de se relacionar consigo mesma e com os outros.

Esse processo exige tempo, paciência e construção de confiança.

E também exige que o profissional que acompanha esse caminho esteja disposto a crescer junto com cada encontro clínico.

Porque, no cuidado verdadeiro, estudo, presença e humanidade caminham juntos.

Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre.

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