Shortcode
Muitas pessoas chegam à terapia com um crítico interno muito elevado. Ele costuma ser vivido como um inimigo: uma voz dura, exigente e, muitas vezes, cruel. Em outros casos, aparece como um suposto aliado punitivo, que acredita ser necessário para “dar conta” das situações da vida.
Na Terapia do Esquema, o objetivo não é fortalecer esse crítico, mas proteger e cuidar da criança vulnerável. Para isso, trabalhamos a redução do crítico interno que se formou em fases precoces do desenvolvimento, quando a pessoa recebeu punição, crítica ou invalidação emocional, em vez de escuta e limites com afeto e realismo.
Com o fortalecimento do Adulto Saudável, possibilita-se calibrar o crítico interno para que ele deixe de ferir e ajude.
Um crítico interno calibrado encontra a medida adequada para orientar sem machucar. Ele deixa de punir e direciona.
O que é o crítico interno na Terapia do Esquema?
Na Terapia do Esquema, o crítico interno costuma aparecer como parte dos Modos Críticos ou Punitivos, que se formam a partir de experiências precoces de exigência excessiva, rejeição, punição ou invalidação emocional, geralmente vividas na infância com figuras cuidadoras.
Essa voz crítica teve, em algum momento, uma função adaptativa: tentar evitar erros, proteger de rejeições ou garantir pertencimento. O problema surge quando ela permanece desregulada, atacando em vez de orientar, mesmo quando o contexto já é outro.
Quando o crítico interno machuca.
Um crítico interno descalibrado:
- fere a autoestima;
- alimenta vergonha e culpa;
- paralisa em vez de ajudar;
- mantém a pessoa em sofrimento crônico.
Em vez de promover crescimento, ele produz medo, rigidez e exaustão emocional. Muitas pessoas passam anos acreditando que essa voz é apenas “jeito de ser”, quando, na verdade, trata-se de sofrimento emocional tratável.
Calibrar não é silenciar: é transformar
Calibrar o crítico interno não significa ignorar erros nem evitar responsabilidade. Significa transformar ataque em orientação.
Um crítico interno calibrado:
- reconhece limites reais;
- aponta ajustes sem humilhar;
- ajuda a fazer escolhas melhores;
- orienta com cuidado.
Ele deixa de ser punitivo e ocupa um lugar mais próximo do Adulto Saudável, um conceito central na Terapia do Esquema.
A importância da relação terapêutica.
Essa calibragem não acontece sozinha. Ela se constrói em uma relação terapêutica segura, estável e previsível, onde a pessoa pode experimentar novas formas de falar consigo mesma.
Na terapia, o paciente aprende, pouco a pouco, a diferenciar:
- exigência de cuidado;
- crítica de orientação;
- ataque de limite saudável.
É nesse processo que o crítico interno perde rigidez e ganha humanidade.
Em resumo
O problema não é ter um crítico interno.
O problema é quando ele não encontra medida.
Na Terapia do Esquema, o caminho é claro:
menos punição, mais cuidado.
Menos ferida, mais orientação.
Porque um crítico interno calibrado não machuca — ele ajuda.
Cuidar de si também passa por aprender a falar consigo mesmo de um jeito que sustente a vida.
Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre




