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A frase “o amor é o calor que aquece a alma”, cantada por Jota Quest e Nando Reis, atravessa gerações porque toca em algo profundamente humano. Quem nunca sentiu que o amor verdadeiro ampara, fortalece e devolve a vontade de seguir em frente?
Quando nos sentimos amparados, conseguimos ir mais adiante. Arriscar. Tentar de novo. É como se, em algum nível, renascêssemos uma segunda vez na vida.
Na clínica, e especialmente a partir da Terapia do Esquema, essa experiência ganha ainda mais sentido.
O vínculo seguro como necessidade emocional básica.
Na Terapia do Esquema, entendemos que todo ser humano nasce com necessidades emocionais básicas. Entre elas estão o vínculo seguro, o afeto, a aceitação e o sentimento de pertencimento. Quando essas necessidades são suficientemente atendidas ao longo da vida, desenvolvemos mais segurança emocional e flexibilidade para lidar com desafios.
O amor, nesse contexto, aquece realmente a alma. Ele organiza, sustenta e protege. É o que nos permite confiar, nos vincular e nos sentir menos sozinhos diante das dificuldades inevitáveis da vida.
Quando o amor não vem sozinho.
Com o tempo, estudando e acompanhando histórias de sofrimento emocional, algo fica cada vez mais nítido: o amor, sozinho, não é suficiente.
Para que ele seja verdadeiramente cuidador, precisa vir acompanhado de outras necessidades emocionais — especialmente os limites realistas.
Limites não são ausência de afeto.
Limites não esfriam relações.
Limites organizam o amor.
Na Terapia do Esquema, limites realistas ajudam a diferenciar cuidado de invasão, proximidade de dependência e afeto de abandono de si. Eles criam contornos seguros para que a relação não machuque.
Limites realistas fortalecem relações
Sentir e experimentar limites é fundamental porque todo mundo, em alguma medida, precisa deles. Eu, você e todos nós, seres humanos.
Dar limites e também saber recebê-los é parte essencial de relações saudáveis. É isso que permite que o cuidado seja de mão dupla, que haja reciprocidade e o vínculo se fortaleça ao invés de adoecer.
Quando os limites faltam, surgem padrões repetidos de sofrimento: excesso de culpa, medo de desagradar, relações desequilibradas ou sensação constante de esgotamento emocional — temas frequentemente trabalhados na Terapia do Esquema.
Amor que aquece e limite que sustenta.
O amor aquece a alma, sim.
Ele ampara, acolhe e dá coragem para seguir.
Mas é o limite realista que sustenta esse calor ao longo do tempo.
Na Terapia do Esquema, cuidar também é aprender a amar com contorno, segurança e respeito às próprias necessidades emocionais.
Porque relações que curam são aquelas em que há afeto e limite.
Calor e estrutura.
Amparo e direção.
Se cuidar passa, inevitavelmente, por aprender a se relacionar — com o outro e consigo — de um jeito que sustente a vida.
Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre




