Psicóloga – Natália Filomeno

Fazer o possível também é cuidado: limites emocionais no fim do ano.

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(Uma leitura à luz da Terapia do Esquema

Muitas vezes, fazer o que é possível é mais saudável do que insistir em fazer além do que damos conta. Ainda assim, para muitos seres humanos, isso não é simples — especialmente no final do ano.

Esse período costuma vir carregado de expectativas: encontros, balanços, metas não cumpridas, desejos antigos, cobranças familiares e sociais. É como se houvesse um chamado silencioso para dar conta de tudo, mesmo quando o corpo e a mente já sinalizam cansaço.

Na clínica, isso aparece com frequência. E a Terapia do Esquema nos ajuda a compreender por quê.


Quando o “fazer mais” vira um padrão emocional.

Na Terapia do Esquema, entendemos que muitos comportamentos atuais são respostas aprendidas lá atrás, ainda na infância ou adolescência.
Pessoas que cresceram precisando agradar, ser fortes o tempo todo ou não dar trabalho, por exemplo, podem desenvolver esquemas como:

  • Padrões Inflexíveis
  • Subjugação
  • Busca de Aprovação
  • Privação Emocional

No final do ano, esses esquemas costumam ser ativados com mais intensidade. Surge o modo Criança Exigente ou o Crítico Interno, dizendo coisas como:

“Você devia estar melhor.”
“Todo mundo consegue, menos você.”
“Descansar agora é fraqueza.”

E assim, mesmo exaustos, seguimos tentando ir além do que é possível.


Fazer o possível não é desistir — é amadurecer emocionalmente.

A Terapia do Esquema trabalha para fortalecer o Modo Adulto Saudável.
Esse modo não ignora responsabilidades, mas reconhece limites, valida emoções e faz escolhas mais cuidadosas consigo e com os outros.

Fazer o que é possível significa perguntar com honestidade:

  • O que meu corpo e minhas emoções estão pedindo agora?
  • Isso que estou tentando fazer vem do cuidado ou da cobrança?
  • Qual é o custo emocional de continuar além do limite?

No final do ano, amadurecer emocionalmente pode ser justamente reduzir, e não aumentar.


Limites também são uma forma de vínculo.

Muitas pessoas acreditam que colocar limites afasta.
Na prática clínica, vemos o oposto: limites saudáveis protegem os vínculos, inclusive o vínculo consigo.

Quando você respeita o que dá conta:

  • diminui o risco de adoecimento emocional,
  • reduz ressentimentos,
  • evita explosões tardias,
  • sustenta relações mais verdadeiras.

Isso é especialmente importante para quem carrega esquemas de abandono ou desvalorização, pois aprender a se respeitar internamente é parte do processo de cura.


No fim do ano, menos exigência e mais humanidade.

Se este final de ano estiver mais pesado, saiba: isso não é fraqueza, é humanidade.
A Terapia do Esquema nos lembra que ninguém funciona bem sob excesso constante de exigência.

Às vezes, o gesto mais saudável não é insistir, mas acolher:

“Hoje, isso é o que consigo fazer — e está suficiente.”

Fazer o possível é um ato de cuidado, de presença e de maturidade emocional.
E, muitas vezes, é assim que começamos um novo ciclo de forma mais inteira.

Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre

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