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A gente também se cura com o afeto nos relacionamentos.
Essa não é apenas uma frase bonita. Ao longo da prática clínica, fica evidente que relações saudáveis não são apenas desejáveis — elas são profundamente curativas para nossas feridas emocionais.
Acredito profundamente que relações saudáveis são possíveis. E mais do que isso: são caminhos reais de transformação emocional.
Mas para vivê-las, é preciso desenvolver algo essencial — olhar e discernimento para reconhecê-las, e coragem para permitir ser tratado com amor e respeito.
No mínimo, respeito. Isso não pode faltar.
Relações saudáveis e necessidades emocionais básicas.
Na Terapia dos Esquemas, compreendemos que todo ser humano nasce com necessidades emocionais básicas. Entre elas estão:
- vínculo seguro
- afeto
- aceitação
- proteção
- limites realistas
- autonomia
Quando essas necessidades não são suficientemente atendidas na infância ou ao longo da vida, podem surgir o que chamamos de esquemas iniciais desadaptativos — padrões emocionais que influenciam como nos vemos, vemos o outro e nos relacionamos.
Feridas emocionais não surgem no vazio. Elas nascem, muitas vezes, em relações.
E é justamente por isso que também podem ser cuidadas em novas experiências relacionais.
O poder reparador do vínculo
Relações saudáveis não são perfeitas. Elas não são isentas de conflitos. Mas são seguras.
São relações em que:
- existe respeito mútuo
- há espaço para diálogo
- limites são claros
- o afeto é consistente
- a presença é previsível
Na Terapia dos Esquemas, chamamos isso de experiência emocional corretiva. Ou seja, quando a pessoa vivencia algo diferente do que marcou sua história — e, gradualmente, seu sistema emocional aprende que o mundo pode ser mais seguro do que parecia.
É assim que o afeto cura.
Permitir ser tratado com respeito.
Um ponto fundamental é este: muitas pessoas não aprenderam que merecem respeito.
Quando crescemos em ambientes críticos, negligentes ou imprevisíveis, podemos normalizar relações que ferem. Por isso, desenvolver consciência emocional é parte essencial do processo terapêutico.
Precisamos aprender a:
- reconhecer relações saudáveis
- diferenciar afeto de dependência
- entender que amor não combina com humilhação
- perceber quando limites são necessários
Permitir ser tratado com amor e respeito é um ato de autocuidado.
E isso começa por dentro.
Relações que cuidam são humanas.
Relações que cuidam não são idealizadas. Elas são humanas.
Elas erram, ajustam, conversam e continuam. São recíprocas. Não se sustentam apenas em um lado. Há troca, presença e responsabilidade emocional.
Na Terapia dos Esquemas, fortalecemos o chamado Adulto Saudável — a parte interna capaz de escolher vínculos mais seguros, colocar limites e buscar relações que sustentem, e não que esgotem.
Porque cura emocional não acontece isoladamente.
Ela acontece no encontro.
Em resumo:
Sim, a gente também se cura com o afeto nos relacionamentos.
Relações saudáveis são possíveis.
São reparadoras.
São transformadoras.
Mas exigem consciência, limites realistas e disposição para viver vínculos baseados no mínimo indispensável: respeito.
Se você deseja compreender melhor seus padrões emocionais e construir relações mais seguras, a Terapia dos Esquemas pode ser um caminho de cuidado e transformação.
Natália Filomeno — Psicóloga clínica em Porto Alegre




